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LetrasJuntas, Palavras Escritas

Desabafos de uma ‘’Menina Mulher’’ que procura nas palavras o simples conforto de um dia melhor… rabugenta por natureza, não fosse para ela tão difícil aceitar as contradições da vida…

LetrasJuntas, Palavras Escritas

Desabafos de uma ‘’Menina Mulher’’ que procura nas palavras o simples conforto de um dia melhor… rabugenta por natureza, não fosse para ela tão difícil aceitar as contradições da vida…

… estamos mesmo todos ‘’no mesmo barco’’… nunca o deixemos afundar, por favor!

08.04.20 | LetrasJuntas, Palavras Escritas

Hoje tento pôr os desabafos de parte, e escrevo-vos diretamente a vocês, não é que não o faça em cada letra que junto todos os dias, mas hoje será mais numa visão de ‘’estamos juntos’’!

Não, não irei falar desse vírus que deambula pelo mundo sempre à espera de um corpo quente que o satisfaça, mas sim do dia que por mais cinzento que esteja começamos a conseguir ver raios de sol… mesmo que as nuvens teimem em não parecerem algodão doce em dias de festa!

Quantas vezes não ouvimos já ‘’estamos juntos no mesmo barco’’ ou ‘’vai ficar tudo bem’’, mas a verdade é que não sabemos como vamos ficar… também não é uma abordagem nova, é um facto, mas penso que é a realidade mais real que podemos ter e sentir neste momento tão trágico e tão inesperado!

Nunca pensámos viver o que estamos a viver, não só este isolamento, mas também o nosso isolamento interior que muitos demónios trazem à tona e nos fazem duvidar em momentos tão complicados como este!

Sei que estamos juntos, mesmo estando afastados… o sol não brilha nestes últimos dias, o que é positivo para muitos, inclusive para mim, pois assim parece não custar tanto não podermos sair de nossas casas, não podermos estar junto de quem mais queremos!

Temos saudades de abraçar quem está longe, e agora mais que nunca damos valor aos momentos que antes considerávamos tão banais, tão adquiridos… tudo está diferente e nós também estamos diferentes.

Ansiamos pela saída, pela ‘’soltura’’ desta prisão que nos faz tão bem, mas não teremos também tanto medo desse dia? Das máscaras a taparem os rostos que agora precisamos conhecer, o medo de chegar perto, o terror do sentir que estamos tão vulneráveis?

Para muitos, as máscaras eram uma forma de conseguirem viver em sociedade, mas agora a máscara é outra… tapa-nos mas temos medo que mesmo assim não nos proteja!

Será que os abraços serão os mesmos? Será que os beijos serão os mesmos? Será que a liberdade será a mesma?

Não sabemos… e a verdade, é que sinto que será tudo tão diferente até se tornar tudo tão igual …

Somos um povo afectuoso, sempre carente de algo que nos dá calor e nos dá ninho, onde nos sentimos bem… muitas vezes escondemo-nos atrás de um telemóvel ou de um computador apenas para conseguir dizer a alguém o quanto gostamos dela, será que tudo isto vai mudar? Espero que sim!

Espero que se viva de forma genuína, espero mesmo que as pessoas escondam as máscaras que tanto as liberta, para se libertarem no seu próprio ser, se mostrarem ao mundo.

Espero que se viva de forma única, que se dê valor às pequenas coisas da vida, à simples ida ao supermercado, ao simples correr no paredão, ao simples facto de sermos tão livres como nunca o fomos…

Acredito que muitas vezes só damos valor a algo, ou mesmo a alguém, quando já não pode ser nosso, e é este tempo que vivemos agora… tentamos mimar com vídeochamadas, com mensagens carinhosas de forma a mostrar o quanto estamos perto… e espero que se viva este tempo como um novo tempo…

Um novo tempo onde nos sentamos à mesa para conversar, que esqueçamos as redes sociais e socializemos de forma natural e não escondidos… que paremos de tentar provar a perfeição da nossa vida com uma simples fotografia onde a única preocupação é o filtro certo … aquele filtro que lhe dá todo um novo tom, um tom tão despido de naturalidade!

Espero que paremos de tomar as coisas como certas, que sejamos honestos, sinceros na nossa forma de ser, pois isso… é o mais perfeito que podemos oferecer a alguém!

Espero que paremos de transformar a nossa vida ou pensar que a do outro é sempre melhor, mais colorida, quando no fundo, é apenas tão rara como a nossa…

Espero que paremos de pensar em demasia e consigamos sorrir mais, queremos um mundo com mais gargalhadas, um mundo por mais momentos felizes!

E espero, genuinamente, que vivamos sem filtros e que consigamos ser nós próprios, com todos os defeitos e todas as nossas virtudes, sim, essas que são tão nossas, essas que são realmente únicas...

Espero que não só agora, mas que estejamos sempre juntos, porque se há algo que aprendemos é que estamos mesmo todos ‘’no mesmo barco’’… nunca o deixemos afundar, por favor!